sábado, 22 de janeiro de 2011

MEIA VOLTA, VOLVER!

Todo dia nos deparamos com situações que nos levam a fazer questionamentos. Realmente, tem coisas, que ficam difíceis de se admitir. Recentemente me deparei com um fato, o qual embora não me diga respeito, me trouxe a fazer essas considerações. O tempo se encarrega de nos pregar muitas peças. O nosso personagem, o conheci ainda garoto, embora, à época não tivéssemos amizade. Anos depois, voltamos a nos encontrar na mesma instituição. Ele na condição de oficial e eu de mero soldado. O meu conhecido, não gozava da simpatia da massa, e, tentou, em algumas oportunidades, se aproximar da minha  pessoa. De forma sutil, buscava manter um certo distanciamento, contudo, pouco tempo depois, passei a trabalhar em um destacamento, justamente na localidade em que o mesmo, após o seu casamento fora residir. Nessa época, volta e meia, dava uma incerta no posto e quando me encontrava buscava contemporizar sua investida. Pouco tempo fiquei no posto policial, indo logo cursar. Nesse ínterim, soube de um episódio, onde o mesmo houvera causado a detenção de um soldado, e, encontrando-se de serviço, veio a transgredir as normas do comando. Para a desagradável surpresa do nosso personagem, quando regressou ao quartel, veio a ser surpreendido pelo comandante, que fora avisado por um anônimo, sobre a escapulidela do oficial de serviço. As consequências para o recalcitrante, não foram as melhores, acabando fazendo companhia ao seu desafeto. O tempo seguiu seu rumo, e durante um novo curso que fora fazer, no período do Carnaval, retornei à minha unidade. Em pleno desfile das escolas de samba, fui escalado na avenida central e tive como comandante da minha ala, o aludido tenente. Ao iniciarmos o serviço, diferente do seu colega de posto, comandante da outra ala, tido e havido como um oficial medroso, o nosso personagem buscava problema em tudo, agitando os seus subordinados, que sabiam a hora que iniciaram o serviço, sem, contudo, saber quando terminariam. Naquela época o desfile do primeiro grupo das escolas de samba carioca, era em um só dia e não havia cronometragem. Em ano anterior, eu mesmo trabalhara na avenida Rio Branco das quatorze horas de um sábado, até às dezessete horas de domingo. Nesse Carnaval, durante a madrugada, ao receber a ração fria, sentindo as pernas um tanto quanto cansadas, procurei acomodar-me na viatura, para fazer o lanche distante dos espectadores. Absorto na refeição, vim a ser ameaçado de sofrer sanções disciplinares, por encontrar-me dormindo, durante o serviço. De plano refutei a acusação e ao longo do serviço, até o seu término, de tempos em tempo, o oficial repetia que participaria a dita infração, que ao seu alvitre, eu cometera. Regressando do policiamento, dirigi-me ao capitão comandante geral da guarnição e narrei-lhe o ocorrido, tendo este, imediatamente, determinado que nada de anormal ficasse registrado durante o seu serviço. Concluído o curso, com a devida promoção, retornei à minha unidade e o nosso personagem,  na primeira oportunidade, durante uma instrução para os sargentos, abordou o episódio do Carnaval e ufanou-se de que graças a sua benevolência, eu não fora prejudicado no curso que frequentava. A sua empáfia, deu azo a que um dos mais graduados comprasse o meu barulho, e o clima ficou pesado. Com o passar do tempo, o nosso convívio, se não era amistoso, também não havia belicosidade. Inclusive, ele capitão, trabalhava ao lado da seção em que eu trabalhava, por vezes, frequentando as rodas de bebericagem ali havidas. Em uma dessas ocasiões, talvez por se encontrar alegre - eu não bebia - procurou abordar a questão do Carnaval. Nessa oportunidade propôs-me um armistício, conquanto que eu admitisse que estava dormindo naquela ocasião. Diante da minha negativa de falsear a verdade, tornou a ficar embirrado. Não demorou muito tempo e cada qual tomou novos rumos, novas promoções, novos horizontes. Decorridos alguns anos, tornamos a nos encontrar em um evento social, onde, em uma roda com amigos comuns, o mesmo teceu elogios a minha pessoa, dizendo-se admirador da minha fleuma e dedicação aos propósitos evolutivos. Desde então, sempre que nos vemos, ele busca abordar-me, trocar algumas palavras e demonstrar certa estima. Atualmente, venho tendo contatos mais constantes com o mesmo, uma vez, ao que parece, encontra-se exercendo uma atividade próxima a local que frequento com assiduidade. Realmente, o trabalho  enobrece e feliz aqueles, que mesmo aposentado, ainda têm gás para dar um pouco de si, auferindo algo mais para garantir o pão nosso de cada dia. Entretanto, devido ao posto, é de se crer que o serviço deveria ser compatível com essa condição. Daí, ficarmos nos questionando: Para quê tanto orgulho, tanta soberba, se viemos do pó e ao pó voltaremos! Nossa passagem pela Terra, deveria ser apenas para somar, jamais subtrair ou dividir. Ninguém sabe as voltas que o mundo dá!

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