sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

CRUZ CREDO


Não bastassem as consequências das fortes chuvas que assolaram a região serrana fluminense, ainda temos que conviver com a falta de sensibilidade e mau caráter de determinadas pessoas. Em dado momento, ficamos sabendo que o motorista da UERJ desviou-se do roteiro para entrega dos donativos, tomando rumo de casa, e, em conluio com seu irmão, desviaram parte da carga. Em Nova Friburgo, outro motorista, de forma inconsequente, desfez-se da carga - roupas e calçados - de forma abrupta, espalhando pelo chão, aquilo que muitos solidários com a dor alheia, amealharam e promoveram a remessa aos necessitados. Outra situação desagradável, prendeu-se ao buchicho havido entre os representantes da municipalidade teresopolitana e equipes da Cruz Vermelha, ao que se depreende, cada qual procurando tirar partido da desgraça alheia, esquecido que nessa hora, o mais importante é valer-se do lema do mosqueteiros: - "UM POR TODOS, TODOS POR UM!". Também ficou esquisito a notícia de que um voluntário, teria reproduzido em seu blog, comentários de terceiros, dando conta de que autoridades municipais estariam mascarando a realidade, sonegando informações quanto a realidade plena da tragédia. Realmente, apesar da mobilização e boa vontade da sociedade brasileira, desde os mais humildes aos grandes industriais, cada qual ao seu modo, contribuindo para minimizar as agruras das vítimas, sempre surgem os picaretas, que em meio a  dor, visam  suas conveniências e suas patifarias. Não sou apologista do atual governo do estado, contudo, uma verdade inconteste, é a fibra e determinação do vice-governador, no exercício do cargo de secretário de obras, junto com do diretor do EMOP e outros mais, que se alocaram em Nova Friburgo e de forma incansável vêm se dedicando a superar os inúmeros problemas locais. Em meio a tanta miséria e desolação, não pode passar desapercebido o empenho dos voluntários e servidores, de todo escalão e setores. O pessoal da COMLURB, deslocou-se da capital e deu show na serra. A galera dos bombeiros, defesa civil, polícia militar, forças armadas, médicos, para-médicos, engenheiros, a turma da justiça, voltada para liberação  dos corpos das vítimas fatais, enfim, é difícil enumerar quem mais se empenhou. Podemos resumir que foi a verdadeira corrente prá frente. A propósito, o que nos deixa preocupado, justamente, é o prá frente, o que está por vir. Estão fazendo muitas promessas, algumas plenamente factíveis, outras, cheirando a demagogia. Oxalá eu esteja sendo crítico demais, e venha mas tarde a descobrir meu equívoco, contudo, é bom prevenir, para não ter que remediar. Vamos colocar os pé no chão, ao menos nesse momento de perdas, onde as chuvas não pouparam ricos ou pobres, para buscarmos soluções concretas e realísticas. Onde  não for possível construir, vamos brecar, demolir, enfim, evitarmos novas vítimas, aos futuros temporais. A lei existe, e, em sua maioria, tem bons fundamentos. Contudo, sua aplicação fica a desejar, especialmente porque os políticos, são useiro e vezeiro, em descumpri-las, visando tapar o sol com a peneira e conquistar mais alguns votinhos nos vindouros pleitos, independente dos prejuízos materiais e legais que possam causar, independente das mortes.

sábado, 22 de janeiro de 2011

MEIA VOLTA, VOLVER!

Todo dia nos deparamos com situações que nos levam a fazer questionamentos. Realmente, tem coisas, que ficam difíceis de se admitir. Recentemente me deparei com um fato, o qual embora não me diga respeito, me trouxe a fazer essas considerações. O tempo se encarrega de nos pregar muitas peças. O nosso personagem, o conheci ainda garoto, embora, à época não tivéssemos amizade. Anos depois, voltamos a nos encontrar na mesma instituição. Ele na condição de oficial e eu de mero soldado. O meu conhecido, não gozava da simpatia da massa, e, tentou, em algumas oportunidades, se aproximar da minha  pessoa. De forma sutil, buscava manter um certo distanciamento, contudo, pouco tempo depois, passei a trabalhar em um destacamento, justamente na localidade em que o mesmo, após o seu casamento fora residir. Nessa época, volta e meia, dava uma incerta no posto e quando me encontrava buscava contemporizar sua investida. Pouco tempo fiquei no posto policial, indo logo cursar. Nesse ínterim, soube de um episódio, onde o mesmo houvera causado a detenção de um soldado, e, encontrando-se de serviço, veio a transgredir as normas do comando. Para a desagradável surpresa do nosso personagem, quando regressou ao quartel, veio a ser surpreendido pelo comandante, que fora avisado por um anônimo, sobre a escapulidela do oficial de serviço. As consequências para o recalcitrante, não foram as melhores, acabando fazendo companhia ao seu desafeto. O tempo seguiu seu rumo, e durante um novo curso que fora fazer, no período do Carnaval, retornei à minha unidade. Em pleno desfile das escolas de samba, fui escalado na avenida central e tive como comandante da minha ala, o aludido tenente. Ao iniciarmos o serviço, diferente do seu colega de posto, comandante da outra ala, tido e havido como um oficial medroso, o nosso personagem buscava problema em tudo, agitando os seus subordinados, que sabiam a hora que iniciaram o serviço, sem, contudo, saber quando terminariam. Naquela época o desfile do primeiro grupo das escolas de samba carioca, era em um só dia e não havia cronometragem. Em ano anterior, eu mesmo trabalhara na avenida Rio Branco das quatorze horas de um sábado, até às dezessete horas de domingo. Nesse Carnaval, durante a madrugada, ao receber a ração fria, sentindo as pernas um tanto quanto cansadas, procurei acomodar-me na viatura, para fazer o lanche distante dos espectadores. Absorto na refeição, vim a ser ameaçado de sofrer sanções disciplinares, por encontrar-me dormindo, durante o serviço. De plano refutei a acusação e ao longo do serviço, até o seu término, de tempos em tempo, o oficial repetia que participaria a dita infração, que ao seu alvitre, eu cometera. Regressando do policiamento, dirigi-me ao capitão comandante geral da guarnição e narrei-lhe o ocorrido, tendo este, imediatamente, determinado que nada de anormal ficasse registrado durante o seu serviço. Concluído o curso, com a devida promoção, retornei à minha unidade e o nosso personagem,  na primeira oportunidade, durante uma instrução para os sargentos, abordou o episódio do Carnaval e ufanou-se de que graças a sua benevolência, eu não fora prejudicado no curso que frequentava. A sua empáfia, deu azo a que um dos mais graduados comprasse o meu barulho, e o clima ficou pesado. Com o passar do tempo, o nosso convívio, se não era amistoso, também não havia belicosidade. Inclusive, ele capitão, trabalhava ao lado da seção em que eu trabalhava, por vezes, frequentando as rodas de bebericagem ali havidas. Em uma dessas ocasiões, talvez por se encontrar alegre - eu não bebia - procurou abordar a questão do Carnaval. Nessa oportunidade propôs-me um armistício, conquanto que eu admitisse que estava dormindo naquela ocasião. Diante da minha negativa de falsear a verdade, tornou a ficar embirrado. Não demorou muito tempo e cada qual tomou novos rumos, novas promoções, novos horizontes. Decorridos alguns anos, tornamos a nos encontrar em um evento social, onde, em uma roda com amigos comuns, o mesmo teceu elogios a minha pessoa, dizendo-se admirador da minha fleuma e dedicação aos propósitos evolutivos. Desde então, sempre que nos vemos, ele busca abordar-me, trocar algumas palavras e demonstrar certa estima. Atualmente, venho tendo contatos mais constantes com o mesmo, uma vez, ao que parece, encontra-se exercendo uma atividade próxima a local que frequento com assiduidade. Realmente, o trabalho  enobrece e feliz aqueles, que mesmo aposentado, ainda têm gás para dar um pouco de si, auferindo algo mais para garantir o pão nosso de cada dia. Entretanto, devido ao posto, é de se crer que o serviço deveria ser compatível com essa condição. Daí, ficarmos nos questionando: Para quê tanto orgulho, tanta soberba, se viemos do pó e ao pó voltaremos! Nossa passagem pela Terra, deveria ser apenas para somar, jamais subtrair ou dividir. Ninguém sabe as voltas que o mundo dá!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A IRA DOS DEUSES

Estava no Rio de Janeiro, uma situação emergente quase me obrigou a permanecer na cidade. Liberado do compromisso, tomei rumo a serra. Cerca de dezenove e trinta horas, encontrava-me em casa. Ao chegar garoava em Teresópolis, após as medidas usuais, assisti aos telejornais e abri o computador. Passava da vinte e uma horas, quando a chuva apertou, e, confesso,fiquei preocupado com as suas consequências. O local em que passei a residir em meados do ano recém findo, fica na principal artéria da cidade, edifício sólido de quatro pavimentos superiores e dois inferiores, providos de bastante conforto e segurança. A periferia, embora tenham morros não muito distante, também julgamos confiáveis. No entanto, o acesso à cidade seja pela Rio-Bahia, como pela Teresópolis - Itaipava, e muitas áreas locais, são suscetíveis aos efeitos das intempéries, hajam vistas, situações pretéritas. Após meia-noite, recolhi-me ao leito, somente despertando lá pelas sete horas. Ao levantar-me o prenúncio de que as coisas não estavam bem: faltava energia elétrica. Resolvi continuar na cama, e depois de algumas elocubrações, busquei ler um livro. Cansado do ócio, levantei-me disposto a dar um bordejo à rua, para fazer o desjejum. A luz permanecia faltando, ao sair na recepção do prédio o porteiro, após cumprimentar-me, alertou-me que desde a madrugada fora cortada a energia elétrica devido a ruptura de uma barragem na localidade de CALEME. Neófito na cidade, agradeci, trocamos algumas impressões e saí à rua. Em frente a universidade, com seus alunos em férias, as lojas vizinhas, algumas fechadas outras as escuras com sua gente na rua. Os sinais de trânsito desligados, e, embora não chovesse, percebia-se o desalento geral. Na padaria, funcionando precariamente, mais parecia uma boite. Os restaurantes fechados, como farmácia e outros comércios.
Retornando à casa, pelo rádio de pilhas, sintonizei uma emissora local, ficando então sabendo das primeiras notícias da verdadeira catástrofe que assolou parte da cidade. A telefonia regular e celular também estava deixando a desejar. A energia foi restabelecida antes do meio dia e pela televisão passei a acompanhar as cenas dantescas, não só em Terê, como em Friburgo e Petrópolis. Realmente, até agora, a cada episódio, mais traumatizado com a odisseia com que a população se viu envolvida. A verdadeira tsunami não poupou prédios rústicos ou bem construídos, casebres ou mansões, pobres e ricos, contabilizam os mortos, feridos, desalojados e desamparados. As autoridades, como sempre, prometendo mundos e fundos, mas, certamente, na próxima catástrofe - oxalá eu esteja equivocado - voltarão à mídia com as mesmas desculpas esfarrapadas. As chuvas têm sido severa, entretanto, não se pode tapar o sol com a peneira: áreas inabitáveis, estão repletas de loteamentos irregulares em sua grande maioria; as margens dos rios, riachos e córregos, cheios de barracos e construções de alvenaria. As árvores cortadas, onde outrora, serviam como sustentáculo às fortes chuvas. O povo, como sempre solidário, prestando empícamente sua ajuda aos policiais, bombeiros e membros da defesa civil. As contribuições com donativos e espaços para abrigar os flagelados. Tudo com dantes, no quartel de Abrantes!  Nesses momentos de dificuldade e apreensão, conseguimos distinguir quem é quem. Desde o horário dos telejornais veiculados após o meio-dia, choveu telefones de familiares, clientes e amigos, ciosos da saber quanto a minha incolumidade. Graças à Deus, física e materialmente, estou muito bem! Contudo, psicologicamente, estou sentindo a dor do meu semelhante, impotente de reverter o quadro de agrura que a TV nos apresenta. Resignar-se que em outros estados e países, por chuva, gelo, sol, fogo, ou que outra maleficência esteja ocorrendo, é muito cômodo e inconsequente. Não resta dúvida, contra a força da natureza, o ser humano é frágil. Mas, acima de qualquer outro ser, nos foi dada a inteligência, e com ela, não fosse a pusilanimidade de nossas autoridades e imbecilidade de nossa sociedade, onde a vaidade e ganância falam mais alto, poderíamos muito fazer para evitar ou minimizar os ecos nefastos dessas ocorrências. Chorar o leite derramado, não retorna o líquido à vasilha. Precisamos, para ontem, rever conceitos, promover estudos sérios e céleres, senão, a cada janeiro, estaremos contabilizando novas vidas ceifadas. Não adiante questionar se se trata da ira dos deuses, carecemos de cumprir o nosso papel, e termos fé em Deus!

domingo, 2 de janeiro de 2011

ATÉ OS CÉUS CHORARAM

Não sei não, mas, continuo não fazendo fé na "nossa" presidenta. Não costumo ser pessimista, contudo, no caso presente, meu sexto sentido me compele ao descrédito. O discurso de posse foi salpicado de palavras de chamamento ao diálogo, de que não deposita sentimentos de vindita ou ódio, mas, continuo com um pé atrás, não lhe dei meu voto, não confio em suas promessas, assim como, não creio nos propósitos de seu partido. A política dominante em nosso país é das mais falsas e despojada de confiabilidade. Vemos que esses seres especiais, somente conjuminam os próprios interesses e conveniências, pouco se lixando para os problemas dos simples mortais, os quais, de quatro em quatro anos, lhes propiciam novos mandatos. O governo que acaba de encerrar seu período, conseguiu tapar o sol com a peneira, e, através de mirabolantes artifícios, obteve índices alarmantes de aceitação. Entretanto, segundo abalizados críticos, deixou uma portentosa bomba de efeito retardado, para em breve explodir. A economia mundial, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, atravessa delicado período, por aqui os efeitos foram pequenos, mas, carecemos de cautela para não nos estrepar. A nova mandatária é marinheira de primeira viagem em política partidária, embora seja macaca-velha em articulações políticas. Filha de família pródiga, na juventude militou em células que buscavam reverter o quadro dominante na política brasileira. Esteve presa como subversiva, tem-se notícias que teria sido vítima de torturas, e, no governo do PT assumiu o ministério, que a habilitou a ser indicada para representar o partido no último pleito. No dia de sua posse, justamente na hora em que dirigia a esplanada e embarca em carro aberto, os céus derramaram volumosa chuva, empanando o brilho que o cerimonial esperava obter. É cedo para prognóstico, reconheço, todavia, mesmo torcendo para que esteja errado, afinal, não gostaria de ver o meu país em situação mais caótica, mas, ainda assim, não consigo renegar meus sentimentos e não faço fé em um governo alvissareiro. Como dizia um veterano cronista esportivo: Quem viver verá!