quarta-feira, 31 de março de 2010

CROCODILOS TAMBÉM CHORAM

Ao longo da vida vamos somando experiências, vivenciando passagens, sorvendo situações, superando problemas, emperrando nas curvas, escamoteando nas subidas, e acelerando nas descidas. Como crianças, forjamos planos, acalentamos sonhos, aspiramos um porvir. Na juventude passamos a desenvolver os projetos, construir as colunas que deverão sustentar nossas conquistas. Vem a maturidade, nos pegamos voltados ao retrovisor, puxando pela memória, recordando as conquistas e lamentando os dissabores. Nunca nos satisfazemos com nada, ora a vitória foi incompleta, ora a derrota foi excessiva. Na próxima disputa, certamente, novas táticas serão desenvolvidas e o resultado, somente poderá ser outro. Ledo engano, nem sempre alcançamos o desiderato e continuamos na estrada...

A roda-viva é comum: ricos, pobres, sábios, incultos, todos enfim, suscetíveis ao mesmo descompasso. Um dia tudo está no ritmo, noutro desafina! O deuses nos bafejam certas horas, em outras, nos dão as costas. Jamais entendemos certas nuances, e, em busca de algumas certezas, nos dedicamos a religião. Nesse campo fértil, muitos alcançam respostas, entretanto, uma grande parte, acaba mais confuso do que antes, alguns, inclusive, descambando até a loucura.

Viver é uma arte, temos que encontrar razões para superar as vicissitudes e buscar objetivos para alcançar nossos anseios. Sabemos das dificuldades de se alcançar a plenitude, o caminho sempre insinuoso, repleto de armadilhas, barreiras, desvios, conspirações. Para caminharmos buscamos anteparos, primeiro em nossos pais, depois em nossos irmãos e parentes, até passarmos pelos amigos, chegando mesmo aos amores. A única certeza na vida, é a morte! Enquanto ela não chega, temos que viver. Como, não importa, cada qual a sua moda, com seus acertos e seus erros, com seus tropeços e suas retomadas, suas respostas, suas questões, suas soluções. Nada pode ser tão forte, que nos impinja o alheamento aos nossos desejos. Não podemos nos abater diante do inimigo, nem tão pouca fugirmos aos nossos designos. Aos crocodilos, nossa força, nossa fleuma, nossas garras, quem chora pelos cantos, não alcança o mérito, permanece no limbo, perde o bonde da história. Com força e para frente.

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