Hoje estou bastante sorumbático! Passei uma noite de sono rarefeito, de pensamentos longínquos, de lembranças desconexas. Ontem, tive um dia atípico, deslocando-me para almoçar com uma velho AMIGO, deparei-me com uma jovem senhora, em plena avenida Presidente Vargas, quase tombando ao solo, apoiando-se em uma muleta e em uma pilastra, aos prantos de dor. De plano a reconheci, tratava-se de antiga vizinha, e recente cliente, a qual, de algum tempo não tinha notícias. Sei que convivia com uma pessoa mais idosa, de quem tem um filho da idade do meu, os quais foram bons AMIGOS em tenra idade. Sei também, de algum tempo, que o status da família encolheu, e ela precisou trabalhar no comércio diante das dificuldades de sobre vida. Não sei se pela dor, ou pelas rápidas questões suscitadas por mim, a jovem senhora, informou-me apenas do falecimento do seu marido, das razões de suas dificuldades para caminhar, algo sobre o trabalho do filho, e, abruptamente se despediu.Após o repasto, em restaurante próximo a igreja da Candelária, caminhei ao escritório, ultimei algumas providências e fui buscar umas peças cedidas para uso na reforma de um imóvel, cuja obra se tornou de "igreja", e caracia devolvê-las a quem me emprestara. Retiradas tais peças, graças a colaboração de dois AMIGOS, parti com destino a ASPOM, onde compartilharia da derradeira reunião da atual diretoria, eis que hoje, 30 de março, a entidade ao completar 86 anos, empossa nova administração.
Triste momento, pífia reunião, inúmeras ausências, assuntos descabidos e maus conduzidos, verdadeira ópera bufa! Diante da chuvarada que se pronunciava, vali-me da dispensa de um grande AMIGO e meio à "galega", bati em retirada daquele ambiente entedioso.
Adentrando à rua ao lado da ASPOM, dirigindo-me para minha residência, tive a atenção voltada para um andrajoso cidadão, acomodado em frente uma residência, alheio aos fortes pingos de chuva, que começavam a gotejar.
Retornei com o veículo, parei, abri o vidro do carona, e chamei o esmoler. Outro não era que o meu velho AMIGO NAVAL. Sim, porque não AMIGO? Logo afloraram lembranças do meu tempo de soldado, nos idos de 1968, destacado na Pavuna, quando conheci aquele jovem, padecendo de problemas mentais, perambulando pela localidade, sempre alegre e feliz, pouco se lixando as convenções, elegância e toda mixórdia da vida moderna. Suas preocupações, estavam pegar a "mangonga" que o quartel nos mandava e delirar com seu platonico amor, por certa ANINHA, a qual jamais soubemos de sua real existência. Nunca soube que o pobre NAVAL tenha feito qualquer coisa errada. Não tinha vícios, não ofendia ninguém, não xingava, ou mesmo respondia grosseiramente. Da mesma forma, nada sabiamos quanto aos seus familiares, suas origens, sua morada. Passados mais de quarenta anos, voltei a encontrá-lo no mesmo local de ontem, e, apesar do tempo decorrido, das agruras que certamente vem passando, não transparecia tristeza, revolta ou qualquer outro sentimento denotativo de arrependimento de estar vivendo. Sensibilizado, trocamos poucas palavras, dei-lhe algumas moedas e parti, rumo ao meu destino, encucado com os designos da vida: Aquela criatura humana, cheia de carencias, sobrevivendo as duras penas, ao relento, pela caridade alheia, e, ainda assim parecia feliz. Saii penalizado diante da sua situação, mormente diante da chuvarada que logo caiu!
Realmente, a palavra AMIGO tem uma conotação muito forte. Ninguém é AMIGO por obrigação, todos somos AMIGOS por convicção. Uma amizade surge do nada, adquire contornos de eternidade, com tudo, nem sempre segue o curso desejado. Geralmente fatores decorrentes da inveja, possessão, cobiça, ou frustração, interrompem belas amizades. Ao longo de sexagenária existência, sempre colecionei AMIGOS, alguns os mantenho de longas datas, outros surgiram faz pouco tempo. Uns tantos, foram pegajosos, outros apenas companheiros. Uns demonstravam frustrações, outros, destilavam oportunismos. Muitos foram sinceros, respeitosos, parceiros, companheiros, camaradas. A cada dia, porém, está mais difícil colecionarmos amigos, qual determinados albuns de figurinhas, são as carimbadas, raras, de pouca edição. Não vivemos sem amizades! Parentes, os temos por consequencia, AMIGOS, apenas por eleição.
Outrora, ouvíamos o grande NELSON GONÇALVES cantar: AMIGO, PALAVRA FÁCIL DE PRONUNCIAR. AMIGO COISA DIFÍCIL DE SE ENCONTRAR! De fato, a cada dia escasseiam os verdadeiros AMIGOS, cada hora se descobre novas traições, novas armações e velhos AMIGOS sempre envolvidos nas derrubadas. Em verdade, muita gente vive em guarda, ante a perspectiva de forjar uma nova amizade. Realmente, viver assim é muito complicado. Temos que ficar, permanentemente, com freio-de-mão puxado, de olho no retrovisor e jamais pensarmos em acelerar nossos vínculos. Todos não prestam, até que provem em contrário. esse é a máxima dessa gente. Primeiro conhecemos, mantemos nossas desconfianças e, somente, depois de muito tempo, comprovado o valor do nosso parceiro, passaremos a tê-lo como AMIGO!
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