Quatro dias após a proclamação da república, a bandeira do Brasil sofreu as naturais alterações, inclusive recebendo a mensagem positivista ORDEM E PROGRESSO. Desde o longínquo 19 de novembro de 1899, muita coisa aconteceu nas terras tupiniquins. Tivemos um longo período da chamada política café com leite, onde os estados de São Paulo e Minas Gerais dominavam a hegemonia da política pátria, até a virada da mesa pelo gaúcho Getúlio Vargas, sucedido pelo mineiro JK, que transmitiu ao matogrossense Jânio, o qual renunciou advindo outro gaúcho João Goulart, que deposto pelas forças militares, após longo tempo sem eleições direitas, vieram novos presidentes civis, até assumir a atual presidente.
O povo, de há muito, demonstrava lamentável alheamento quanto ao descalabro político reinante em nosso torrão, mas, recentemente, catapultado por iniciativas de uns poucos, sobre o mote de que protestavam em razão do aumento das passagens dos ônibus urbano, a turba colocou o bloco na rua.
Certamente, em qualquer país democrático esse tipo de reação é natural e até estimulante, entretanto, paralelo a esses protestos, como verdadeiros tzunames, pequeno grupo de baderneiros, passou a promover arruaças, destruições, quebra-quebras, enfim, toda sorte de irregularidades.
Certamente, em qualquer lugar, a repressão deveria ser a altura. Estranhamente, entretanto, nos diversos rincões da federação, a polícia militar vem se comportando de forma acanhada. Aceita passivamente as agressões, não reage de igual para igual ante o vandalismo praticado pelos arruaceiros encapuzados.
A mídia, por outro lado, somente enfoca os eventuais excessos praticados por esse ou aquele policial, sem, contudo realçar os atos inconseqüentes pelos marginais baderneiros.
Estamos vivenciando momentos terríveis, a cada dia uma nova passeata, sem qualquer respeito ao direito de ir e vir de quem nada tem a haver com as questões em pauta, que se desloca ao trabalho, para o estudo, ou mesmo para qualquer outra finalidade. Ocupam toda pista de rolamento, pequeno contingente de dá ao luxo de manter por horas à fio, a principal artéria do centro do Rio de Janeiro, bloqueada, pelo simples prazer de tumultuar e ganhar espaços na imprensa. A onde iremos parar com isso? Aos mais “cascudos”, ficam as lembranças do que acontecia antes de março de 1964. Quem viveu aquela verdadeira babel, de tristes memórias, bem sabe do que eu falo. Vamos aguardar que as autoridades assumam seus papéis e banquem o direito de todos, e, reprimam com rigor os recalcitrantes. Lugar de mascarado é na cadeia, de cidadão é exercendo seu direito de voto e sufragando quem demonstre competência e confiabilidade.
“O amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim”. “O progresso é o desenvolvimento da ordem”. Duas das máximas mais importantes de Augusto Comte, filósofo francês, nascido no ano de 1798, demonstram claramente algumas das idéias básicas da doutrina positivista, e sua influência na construção do Brasil Republicano.
O positivismo, linha teórica sociológica criada por Comte, surgiu no século XIX como contraponto ao racionalismo abstrato do liberalismo, e atuou como pensamento dominante a partir da segunda metade dessa centúria. Buscava explicar questões práticas da humanidade, dando ênfase à experiência, e procurava aprimorar o bem-estar intelectual, material e moral do homem, através da utilização de novos métodos para o exame científico dos problemas da sociedade.


