sábado, 11 de dezembro de 2010

BAR DO PT

Em março de 1970 fui promovido a terceiro sargento e filiei-me a ASPOM. No ano seguinte, casei-me e utilizei o espaço da entidade para o “chope” da rapaziada. Logo depois, fui convidado a ser delegado da entidade junto a minha unidade. Atendendo a convocação, conheci o autor do convite. Um veterano associado da associação, com longa estrada e que acabara de assumir as funções de relações públicas da ASPOM e resolvera apostar no intercâmbio entre a sua direção e os associados, através dos representantes nos batalhões.
Ao longo de nosso convívio, muito aprendi com esse arguto companheiro que deixou sua cidade natal nos sertão pernambucano, com destino à Marinha, porém acabou aportando na PMDF.                                        
Muito sagaz, estava sempre armando uma estripulia. Não muito era chegado ao vil metal, sendo, até certo ponto perdulário, sem jamais, ser mesquinho, ganancioso ou “armador”.
Não tenho notícias de qualquer falcatrua em suas atividades funcionais ou associativos. Era um agitado emérito, sempre fomentando inquietação, sem produzir malefícios irreparáveis. Era vaidoso, dedicado e empreendedor. Estava sempre de bom humor, e não praticava de forma ortodoxa os preceitos militares, embora não fosse um insubordinado. Como tenente, tinha acesso a locais que ditas autoridades, se empenhavam e não logravam adentrar.
Sua grande paixão era a ASPOM, porta de entrada para a PM, uma vez que mesmo antes de incorporar na “briosa”, logo de sua chegada de Bonconselho, foi por lá -através do “tio Abílio”- que veio a conhecer a “meganha”.
Diretor inúmeras vezes em sua casa do coração, pelos desvãos da política interna, acabou alijado do seu palácio e encontrou pousada em uma sala acanhada, simplória, nos fundos do clube dos oficiais.
Em seus devaneios, editou um jornal para manter acessa sua verve, transmitir fatos e causos da corporação, afagar egos e aconchegar seus inúmeros companheiros, de todos os quadrantes, do norte a sul do Brasil.
O noticiário vicejou, atravessou fronteiras e acabou firmando-se como o principal porta-voz dos sofridos policiais militares e bombeiros.
A prova disso,  em época de eleições em qualquer das entidades que congregam tais segmentos, e mesmo na partidária, era um grande alvoroço no COR e o seu jornal ficava  repleto de fotografias e material dos candidatos de qualquer matiz, muitos saídos dos recônditos, sem o menor trânsito com as massas .
Ele sofria poucas e boas, ao descartar matérias impublicáveis, despidas de valor jornalístico, eivadas de falhas, das mais comezinhas, até algumas despropositadas, agressivas ao “galego” embora, ao alvitre dos “pais das crianças”, se tratavam de obras-prima.
Quantas vezes tornei-me confidente de suas agruras, ante as verdadeiras “saias-justas”, lhes impostas, uma vez não pretender denegrir o nosso jornal, mas, também não tinha palavras para a imperiosidade de jogar a matéria esculpida pelo companheiro no lixo.
Suas mágoas afogava nos bares da vida, especialmente no “balcão das ilusões perdidas”. Nos últimos anos, quase todos os domingos, o encontrava, pela manhã, sorvendo bons chopinhos e passando os olhos nos matutinos, na esquina da Dias da Cruz, com Galdino Pimentel, enquanto D. Adelaide concluía o “ragu”.
Muitas orelhas ardiam, muitos sonhos despetalavam-se, muitos anseios declinávamos.
A perda do seu “Tuca”, as neuras do “JR”, em momentos, lhe desgastavam. Mas, logo as ironias da Terezinha e a simplicidade da Solange, revigoravam seu ânimo, suplementado pelo afeto dos netos.
Na comemoração dos seus oitenta anos, estiveram presentes quase todos que lhe eram caros, e aqueles que não estiveram fisicamente, espiritualmente se fizeram presentes.
Durante sua portentosa passagem à frente do COR, uma fraternidade sem recursos, sem patrimônio, tíbia de associados, onde além do seu jornal e as reuniões mensais, pouca coisa seu quadro associativo possue, contudo, ele tornou um verdadeiro “point” dos veteranos, os quais confraternizavam-se ávidos por saber quem permanecia vivo, e viviam para não ser o próximo a se transformar em estrela!
Nessa constelação, o inevitável ocorreu, no início desse ano, PAULO TAVARES DE LIMA, nos deixou e passou a “agitar” no céu.
O vácuo ficou... As lembranças, com intensidade, ficaram; as reflexões aos borbotões, a saudade, é melhor nem lembrar!...
Como ficará o COR? Será encampado pela AME? Vai se tornar inviável? Essas e outras questões foram suscitadas!
 De imediato, na forma estatutária, o vice-presidente passou a tocar o “bonde”. Após a missa de sétimo dia, realizou reunião com os demais diretores e conselheiros, onde foi empossado na presidência da AOMAI, e, na oportunide declarou não pretender concorrer no pleito previsto para meados do ano.
Articulou-se então uma chapa única e buscou-se um candidato. Quase que por consenso, indicou-se um jovem tenente-coronel  da ativa, cheio de brilho nos olhos, simplório, simpático, porém de pouco trato junto a entidade, contudo, era o melhor que se podia conseguir para o momento.
Eleita a nova diretoria e conselho, foi Marcão para setembro as posses. Em setembro, não pude comparecer à sua posse, porém através de fotos e vídeo constatei haver sido a festa bastante concorrida e bonita.
Recentemente, passei pela AME para almoçar e fui dar um abraço no pessoal do COR, para minha grata surpresa, a salinha acanhada estava em obras e seria reinaugurada dia 10 de dezembro, fui convidado, como associado e assessor, a comparecer ao evento.
Hoje, fiquei encantado com o que vi. Sim, o jovem presidente LIVINGTON  GONÇALVES DE FARIA e sua equipe, consegui a façanha de tirar “leite de pedra”. Transformou o pequeno reduto, em uma aprazível sala, com todo aspecto de uma moderna e bem provida wisqueria, tendo ao fundo um singelo e de bom gosto barzinho, cujo nome, de lembrança muito feliz é BAR do PAULO TAVARES.
Foram bons momentos que lá passei, apesar de abstêmio, revi algumas pessoas, inclusive quem não gostaria, mas, acima de tudo, me senti  honrado com tudo aquilo que nos foi brindado pela galera da NOVA AOMAI.
Parabéns senhores diretores e colaboradores, felicidades, senhores dirigentes, associados, familiares e amigos. Nesse Natal a estrela de Belém reluzirá mais intensamente e por certo, em de seus bares, o PT estará saudando o próspero ANO NOVO.
Na foto: O articulista, PT, coronel ERIR e esposa, durante evento festivo na sede da AME.

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